Missão dada…

fevereiro 1st, 2012

Eu estava aplicando a Besteirologia em um hospital de outra cidade e a Dra. Guadalupe foi trabalhar no meu lugar com a Dra. Manela lá no Hospital Universitário.

Chegando à Pediatria, deram de cara com um pequeno batalhão de crianças. Eram três ou quatro pequeninos que estavam querendo saber do Dr. De Dérson. As  besteirologistas resolveram passar uma missão para as crianças encontrarem o dito cujo (eu, no caso).

A história é que o Dr. De Dérson estava preso em algum banheiro e, para resgatá-lo, as crianças tinham a missão de espalhar cartazes pelo hospital. E aquele pequeno batalhão rapidamente cumpriu sua missão: tinham cartazes espalhados por todos os lados e logo a criançada se juntou à outra ala do hospital.

Ficou aquela “muvuca” de crianças em volta das besteirologistas, que logo tiveram de pensar em mais missões. Todas foram executadas pelo agora grande batalhão de crianças que, além de mais componentes, agora também estava equipado com triciclos, porta soros, pernas engessadas, mamães, vovós…

Imaginem!

Cadê o Dr. De Dérson?

 

 

 

 

 

 

 

 

 
Dr. De Dérson
Hospital Universitário
Agosto de 2011

O corredor, a tabuada e a noiterréia

janeiro 24th, 2012

Ei! Diga-nos uma coisa: você que está lendo esse relatório dos Doutores da Alegria é um funcionário da equipe do Hospital do Grajaú? É um médico, uma médica, uma enfermeira, um auxiliar, um técnico enfim, um dos funcionários com quem temos contato direto e cotidiano nos quartos e corredores do hospital?

Se a resposta é sim, é um ótimo sinal. Significa que nossa campanha “Leia o que temos a dizer sobre vocês” está dando certo e que esse relatório está finalmente chegando a seus olhos. Nesse caso, te desejamos uma ótima leitura e, caso tenha algum comentário, saiba que somos todo ouvidos.

Dra. Emily e Dr. Zequim

Então, aí vão as notícias do mês no hospital, segundo a visão dos Doutores da Alegria:

Há meses em que algumas crianças ficam bastante tempo internadas. Em setembro, nossos parceirinhos foram o B., de 4 anos, que, de tão conhecido na pediatria, chegou a virar “escriturário” no balcão da enfermagem. Pegava o mouse, fingia ler o que aparecia no computador e despachava avisos e ordens.

B. também levou ao pé da letra o sentido da palavra “corredor” e utilizava essa dependência do hospital para correr – afinal, se fosse só para andar, deveria se chamar andador, não é?

Nesse mês também tivemos um dia matematicamente profícuo. É que fomos colocados na parede por uma criança que nos ameaçava com a tabuada do 5! E lá fomos nós: 5, 10. 15…

Depois, a nossa vingança (he he he): exigimos-lhe a tabuada do 9.

A menina, com a ajuda da paciente ao lado foi nos ditando os resultados. Mas ninguém esperava pela mágica numérica que desvendamos ao mostrar que os números formados pelos resultados, ao terem seus algarismos somados, sempre resultam em 9. Reparem:  18 (1+8 = 9), 27 (2+7 = 9), 36 (3+6 = 9) e assim por diante.

Além disso, os resultados se “invertem” se comparamos os resultados da primeira parte da tabuada com a da segunda parte. Reparem como os números em negrito são um o “inverso” do outro, por exemplo 18 e 81.

9×1 = 09 90  = 9×10
9×2 = 18 81 = 9×9
9×3 = 27 72 = 9×8
9×4 = 36 63 = 9×7
9×5 = 45 54 = 9×6

Entenderam? Pois saibam que as duas pacientes, que já tinham respectivamente 10 e 12 anos, assim como seus acompanhantes, ficaram maravilhados com esse “milagre” da matemática. E nós também, porque jamais imaginávamos que um assunto tão árido, tão escolar, pudesse encantar quatro pessoas em um quarto de hospital.

Saímos todos cheios de sis, orgulhosos com o feito. E na mesma tarde, demos uma aula aos internos: aula de noiterréia, já que de diarréia eles têm sempre.

Dr. Zequim (Nereu Afonso) & Dra. Emily (Vera Abbud)
Hospital Geral do Grajaú
Setembro de 2011

Aos pequenos e grandes amigos do Itaci

janeiro 19th, 2012

Muita coisa nos tocou profundamente neste ano de trabalho no Itaci (Instituto de Tratamento do Câncer Infantil). O mais forte foi o carinho com que fomos tratados o ano todo e a cumplicidade de toda a equipe.

Foi com grande alegria que participamos da “festa da firma”. Foram todos os funcionários e cerca de 150 super heróis, todos juntos e misturados! O final de ano representou momentos de reflexão, agradecimentos, despedidas…

E não é que fomos descobertos? J., um rapaz que presta serviços comunitários no hospital, nos chamou e disse:

“Sabem aqueles faróis enormes que tem o fusquinha, que quando acende ilumina tudo?”

“Ahan!”, respondemos.

Ele continuou: “Então imagina uma camionete feita só daqueles faróis, todos acesos!”

“Sim, imaginamos! E aí?”

“Agora imagina uma espaçonave, do tamanho de uma cidade, feita só com esses faróis!”

“Uau!”

“Pois é! Quando vocês chegam aqui, vocês brilham muito mais do que isso.”

“Ih! Descobriram nosso meio de transporte!” – respondemos, um tanto quanto emocionados.

Eu, Dr. Dadúvida, e o Dr. Sandoval queremos agradecer a todos por esse ano. Foi um ano que valeu por quinze! Aprendemos muito com todos: médicos, pessoal da limpeza, enfermeiros, diretoria, escritório, seguranças, motoristas… Nunca descobrimos se a nossa chegada alegrava vocês ou se vocês é que alegravam a nossa chegada. Esse ano vocês todos foram nossos mestres.

Fica a nossa homenagem, lá da Roda Besteirológica:

Dr. Dadúvida (Davi Taiu)
Dr. Sandoval (Sandro Fontes)
Instituto de Tratamento do Câncer Infantil
dezembro de 2011

 

O Natal à caráter no Hospital do Campo Limpo

janeiro 13th, 2012

No final do ano começa aquela magia incrível que se chama renovação, que é quando colocamos todos problemas em uma gaveta e projetamos nossas energias para o ano que está chegando. Isso significa que estamos vivos, com novas esperanças e curando aquelas coisinhas que nos incomodam.

Um ano sempre acaba cheio de histórias, de encontros e desencontros… E nada melhor do que começar o novo ano relembrando uma boa história que aconteceu em dezembro.

Próximo ao Natal, eu (Dr. Charlito) e a Dra. Juca Pinduca resolvemos comemorar a festividade à nossa maneira. Chegamos no Hospital do Campo Limpo vestidos de papai Noel (Charlito) e árvore de Natal (Juca).

Fomos muito enfeitados:  roupinha de papai Noel, barba, galhos, enfeites… Só faltou mesmo o cabelo branco! A Dra. Juca-árvore levou tão a sério que ficou esperando pra ver se alguém colocava um presente aos seus pés.

Na correria do hospital, entre um leito e outro, ninguém se habilitou a colocar uma lembrança aos pés da árvore de Natal. Um miolo mole aqui, um parafuso solto ali, e nada do presente. Foi no final do plantão besteirológico, quando já estávamos arrasados e cansados tirando a fantasia, que alguém se aproximou devagarzinho.

Deu o presente para a Dra. Juca, que colocou o mesmo em seus pés. Enfim, a árvore estava com cara de Natal! Ficamos pensando depois que em algum lugar, nesse exato momento, alguém estava ganhando um presente. E se você não ganhou o seu ainda, pode esperar que ele vem.

Feliz Ano Novo!

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Dr. Charlito e a Dra. Juca Pinduca
Hospital do Campo Limpo
dezembro de 2011

Doutores recomenda: “Correio Litorâneo”

janeiro 9th, 2012
Além de atuar nos hospitais de São Paulo como o Dr. Zequim Bonito (vulgo José Joaquim de Arimatéia Machu Picchu Parafuso Parafina Gerigonçalves Katmandu Satisfaction Bonito Bonito Bonito Bonito Bonito da Silva), Nereu Afonso também é professor e escritor. O Blog dos Doutores da Alegria aproveita para indicar a leitura de Correio litorâneo (Ed. Record),  livro de contos de Nereu que foi vencedor do Prêmio Sesc de Literatura em 2006.

Com 80 páginas, os contos versam sobre notícias de jornal. No caso, um jornal fictício chamado ‘Correio litorâneo’. São oito histórias divididas em dois blocos denominados ‘uns’ e ‘outros’, em que o autor trabalha o humor e o lirismo. Os temas percorrem as cenas do cotidiano dando voz à sabedoria, ao crime, à viagem para a solidão, à morte, ao amor e à falta dele.

Correio Litorâneo, de Nereu Afonso

Veja abaixo um trecho do livro:

“…Feliz aniversário, o moço diz. Obrigada. Aproximam-se para que ele lhe dê um beijo. Obrigada.., e ela devolve-lhe o beijo. Continuaram assim pertinho, recolhidos um para o outro, protegidos por uma bolha invisível e única, hostis a toda violência, a toda aspereza das pancadas e chicoteadas do mundo de fora. Um outro beijo partilhado. Obrig… E mais outro, ou talvez ainda o mesmo. Você tem os lábios tão doces, ela suspira. E eu gosto do seu nariz, o moço diz. Do meu nariz? Enquanto isso, o gelo das caipirinhas ia derretendo, os sanduíches iam esfriando, parte da cidade roncava na frente da televisão, a vela, o Correio Litorâneo, o pior jornal do planeta, ia mofando nos lares e escritórios da região. É, do seu nariz. E o moço beija-lhe o nariz. A garçonete, do balcão, de sagitário, observa os amantes, áries e aquário enrolando-se. Você acredita em signos, Portal?, pergunta a garçonete. Acredito…” (p.48)

Um dos modos de adquirir o livro é pela loja virtual da Livraria Cultura.

Os nossos grandes mestres

janeiro 4th, 2012

Nesses meses tivemos muitos encontros e desencontros com um paciente e pequeno amigo que arrumamos no Hospital Santa Marcelina. Os encontros acontecem quando nos encontramos, claro, e os desencontros nos dias em que o garoto vai ao hospital para tratamento e não estamos por lá – nós estamos de plantão por lá às terças e quintas-feiras.

R. deve ter uns 9 ou 10 anos e adora tocar nos nossos objetos besteirológicos. Ele é fanático por chocalhos e pelo barulho das buzinas e do pandeiro. Está sempre está com seu avô, que é muito presente e participativo nas nossas visitas… Tá, às vezes ele aproveita para dar uma escapada para tomar um café ou um pouco de sol quando estamos por lá. E o menino não nos deixa sair do quarto.

R. passou por grandes cirurgias para a retirada de um tumor na cabeça e, há alguns meses, perdeu a visão. O mais incrível é que ele não perdeu a sua energia e a alegria de viver. Adora rir e fazer palhaçadas ou repetições dos nossos jogos, que só conhece pelos sons.

Sou fã dele. Fico admirado em ver como a doença pode atingir o corpo de uma criança – no caso, o cérebro- e esta, com muita força de viver, não deixa que a enfermidade atinja sua sua mente. Não deixa que atrapalhe sua alegria.

E é por isso que sempre dizemos que as crianças são os nossos grandes mestres.

Du Circo (Dr. Pinheiro)
Márcio Douglas (Dr. Mané Pereira)
Hospital Santa Marcelina
julho de 2011

21 anos – a maioridade

janeiro 3rd, 2012

2012 é o ano da maioridade dos Doutores da Alegria. Fundada em 1991 por Wellington Nogueira, a ONG comemora neste ano 21 anos de atuação junto a crianças hospitalizadas, seus pais e profissionais de saúde. O próprio Wellington nos conta um pouco do que foi o ano de 2011 para os Doutores da Alegria:

Wellington Nogueira

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

“Somos totalmente responsáveis por todos os nossos atos perante a sociedade. Se, em 1991, o palhaço profissional entrando regularmente no hospital era uma novidade, hoje é uma realidade que gerou uma folha corrida bem extensa de desdobramentos e rompimentos de fronteiras: do surgimento de mais de 555 iniciativas semelhantes pelo Brasil ao fenômeno dos universitários da área de Saúde que aprendem técnicas de palhaço para melhor trabalhar com os pacientes e estabelecer conexões plenas com eles. Médicos que também se formaram palhaços e hoje trabalham integrando ambas as profissões com mais propriedade, em benefício dos pacientes. Palhaços visitando locais de trabalho, onde o adulto se interna, como diz a veneranda dra. Ferrara… Se formos vasculhar, não vamos parar de encontrar pelo mundo todo exemplos incríveis de maluquice beleza instituída, compartilhada e reconhecida! Tá dominado! Este é um momento em que cada um de nós pode fazer história, promovendo uma verdadeira virada. Vide “Fora, Wall Street!”.

Quando investigo todas essas ações e as demandas crescentes para transportar esse conhecimento para outras áreas – como educação e trabalho – percebo que o denominador comum é: queremos ser mais felizes. O professor Serge Ouakine, da Universidade de Toronto, diz que a felicidade é o encontro de duas alegrias: é possível ser feliz sozinho, mas a alegria

acontece quando é compartilhada. Na besteirologia, entendemos que alegria é sair da nossa zona de conforto para tornar melhor a vida de alguém. Nunca falamos tanto da tal da sustentabilidade e, surpresa, ela começa com a qualidade de nossa relação com a vida. Consciência de mim e da minha relação com o outro, para a construção coletiva da alegria.

Para construir esses futuros desejáveis precisamos de imagens inspiradoras, já diz a futuróloga Lala Deheinzelin.

Juntando tudo isso, assumimos, na maioridade, esse compromisso, de contaminar as pessoas para a construção coletiva de alegria. Sim, anos e anos de individualismo adoeceram o mundo e o pior: a enfermidade do mundo é o reflexo daquela iniciada por nós. Existe antídoto? Sim, dentro de cada um de nós há a capacidade de sairmos de nossas zonas de conforto para corrermos o risco de tornar melhor a vida dos “alguéns” à nossa volta.

A maioridade é isso: trazer para o mundo o resultado da educação e da formação que recebemos. Obrigado a todos os nossos mestres, em especial, as crianças que tanto nos ensinaram ao longo dessa jornada.”

Rapidinhas do Hospital da Criança

dezembro 27th, 2011

Os besteirologistas do Hospital da Criança, em São Paulo, mandam algumas rapidinhas de final de ano:

“Paramos no corredor diante de um menino de uns oito anos, todo penteado, cabelo com mechas loiras e muito gel.

Ô, você aí! – disse o Dr. Pistolinha.

O menino parou e ficou olhando para os palhaços com um olhar incrível de reprovação, muito sério. Era um perfeito “palhaço branco” (aquele que dá as ordens e critica os mais tolos), com um tempo cômico de mestre.

Você tem lâmpadas! – continuou Pistolinha.

Que lâmpadas?… Eu tenho piolho! - bradou o menino.

Nós nos desmanchamos de rir com o garoto, ficamos sem resposta. Temos muito o que aprender com esses meninos!”

“O Dr. Pistolinha não sabia nadar e uma menina de uns sete anos ficou indignada.

É só mexer o pé! – explicou a garotinha.

Mas e a mão, não mexe? – perguntou o besteirologista.

Só quando tá respirando!

Claro, uma lógica maravilhosa!”

“A Dra. Lola e o Dr. Pistolinha entraram no quarto de um menino que jogava, muito concentrado, seu joguinho eletrônico. Nem olhou para os palhaços.

A mãe tentou fazê-lo interagir, mas ele nem pisca. Os dois começaram a tentar adivinhar que jogo era.

Shrek! Ben 10! Pac Man! - foram mil e uma tentativas até que a mãe cochichou que jogo era.

Se a gente adivinhar você dá um presente? - perguntamos.

E o menino, finalmente respondendo:  Dou.

Toy Story! – gritou o Dr. Pistolinha.

Adivinhou!

E o presente?

O menino pensou, pensou e depois de um tempo respondeu:

Você pode jogar um pouquinho!

As crianças são sempre muito generosas!”

Dra. Pororoca (Layla Roiz)
Dr. D.Pendy (Dagoberto Feliz)
Dra. Lola Brígida (Luciana Viacava)
Hospital da Criança (Hospital Nossa Senhora de Lourdes) 

O conselheiro

dezembro 26th, 2011

Com o hábito de fazer uma conversa mais detalhada com os profissionais de saúde, conseguimos entender melhor o que acontece no hospital e atender mais de perto algumas solicitações de alguns profissionais, como foi o caso este mês.

Dia desses, no Hospital do Grajaú,  a assistente social nos chamou logo que colocamos o pé no andar nos e pediu para visitar um quarto onde tinha uma mãe bastante nervosa.

O caso era o seguinte: ela estava esperando o médico para liberar a alta da filha e não agüentou a demora – evadiu do hospital. Sem liberação, ela arrumou as coisas e foi embora. A assistente social conseguiu convencer a mãe a voltar, mas, quando ela retornou, o médico discutiu com ela e disse que não daria mais a alta para sua filha naquele dia.

Mãe e médicos disputando forças. Foi aí que entramos.

No quarto havia duas mães e a princípio não sabíamos com qual delas tinha ocorrido o fato. Trabalhamos com as duas e suas crianças sem distinção, pois as quatro respondiam bem. No meio da visita, chegou outra visita: o vizinho da mãe que brigou com o médico. Ele tinha o filho mais velho no colo e sua esposa estava internada no mesmo hospital pois tinha dado a luz ao caçula da família naquela madrugada.

O senhor nos cumprimentou e seguiu falando com sua vizinha, tentando acalmá-la. E falou muito bem. Disse que o importante é a criança e que elas sentem quando a mãe não está bem. Que ela deve escutar os médicos e que quando a mãe fica triste a criança também fica. Falou tudo com muito carinho e cuidado.

E aquilo acalmava a mãe. Interrompemos o que estávamos fazendo para escutá-lo.  Quando ele terminou de falar, o elegemos para deputado do Grajaú. Foi aplaudido no quarto!

Depois do almoço o encontramos  em outra ala, em seu quarto. Por coincidência, enquanto ele trocava o filho, uma médica muito carinhosa lhe deu a notícia de que seu filho ficaria mais uma noite no hospital. Ele disse:

O que foi melhor para o meu filho. - e aceitou, tranquilo.

Para fechar a história, o médico finalmente cedeu e deu a alta para aquela mãe no mesmo dia.

Dra. Emily (Vera Abbud)
Dr. Zequim Bonito (Nereu Afonso)
Hospital do Grajaú
Outubro de 2011

Pra que guardar toda a besteira para si?

dezembro 21st, 2011

Quem abriu as portas do jardim zoológico? Aqui no Nossinha (Hospital da Criança), neste mês, começaram a aparecer besteirologistas em pencas. Além do venerável, estimável e inexplicável trio que o habita (eu, Dr. D. Pendy e Dra. Pororoca), outros indigentes resolveram dar o ar da graça, para a desgraça de muitos e ameaça de outros tantos.

Para começar o mês, Dr. Zequim, um homem de poucas palavras, veio exibir sua sapiência ao lado da Dra. Xaveco Fritza, uma mulher de pouca vergonha. Em seguida, com a mesma Xaveco veio Dr. Pistolinha, um homem de muita massa muscular, que acabou fazendo fama com o codinome Dr. Jejum. Até hoje o pessoal pergunta: “Cadê o Dr. Jejum?” – nem queiram saber o que ele aprontou por aqui. Prefiro não entrar em detalhes.

Aí a coisa piorou, digo, degringolou, digo, descambou de vez. Uma enxurrada de novos Doutores desaguou no Nossinha, e todos os dias ouvíamos: “Esse é novo!”. Peraí! Vamos discutir o conceito de novo…

Novo pode ser algo que nunca foi usado. Bom… parece não ser o caso de nossos Doutores. Vejamos… Novo pode ser algo que já existia antes, e que a partir de um determinado momento passa a ser seu: “Ganhei uma calça nova!”. Hum…  Os besteirologistas não passaram a pertencer a ninguém, são como cão sem dono. Ou ainda; novo pode ser alguém jovem, de pouca idade… Deixa pra lá!

Estou falando dos besteirologistas residentes, que vieram ao Nossinha para aperfeiçoar sua ciência. Um bom besteirologista estuda, faz residência, pós graduação, doutorado e assim vai pela vida toda, de galho em galho, aumentando o nível de bobagem em seu sangue e no dos outros. Claro, além de estudioso ele tem que ser generoso. De que lhe serve guardar toda a besteira adquirida, apenas para si?

Pois é, caríssimos! Há quem veja os funcionários do Nossinha choramingando pelos cantos: “D. Pendy, Lola e Pororoca! Eu era feliz e não sabia!”. Com essa máxima termino meu relato, pois, como dizia minha avó: “A conversa tá boa, mas a tendência é piorar!”.

Dra. Lola Brígida (Luciana Viacava)
Hospital da Criança – Nossinha
Outubro de 2011